Rede de Nutrição do Sistema Único de Saúde (REDENUTRI)
Car@s,
Faço parte do Centro Acadêmico da Nutrição/USP e estou acompanhando as
discussões há um tempo. Vou deixar algumas contribuições sobre esses
dois temas.
Na discussão sobre a falta ação e participação nos conselhos e
entidades representativas dos nutricionistas surgiu a questão do
movimento estudantil da nutrição. Acompanho o movimento desde o
segundo ano da faculdade e foi o suficiente para ver o quanto é
complicado e, muitas vezes, desestimulante não conseguir trazer mais
estudantes para os debates relativos ao próprio curso, à luta pelo
DHAA, pela garantia da SAN e, principalmente, quando tratamos das
políticas públicas de alimentação e nutrição.
Vejo que o cenário se repete após a formação, implicando na pouca
atuação nas entidades representativas, órgãos de classe, etc. Porém,
temos que tomar cuidado para não culpabilizar as pessoas como se elas
fossem as únicas responsáveis por não se interessar pela profissão ou
por não querer participar. A nossa sociedade é
construída de forma a não formar pessoas críticas e, quando forma, os
mecanismos que estimulam a desmobilização é tal, que não existe tempo
p/ as pessoas pensarem em começar lutar por alguma causa.
Apesar disso, há exemplos de nutricionistas que, mesmo após terminar a
graduação e sair do movimento estudantil, continuam militando, claro
que cada uma dentro de suas possibilidades e limitações. Sei que isso
não é realidade para a maioria, mas acredito que o estímulo à
participação no movimento estudantil da
Nutrição e geral, pode ser uma forma de estimular alguma participação
profissional posterior. Ainda tenho esperança n@s nutricionistas :-p
Já que estou falando de formação e movimento estudantil, não posso
deixar de divulgar a notícia abaixo sobre a movimentação que está
acontecendo na Nutrição da USP contra a presença de indústrias de
alimentos nas aulas. É uma iniciativa importante que vai poderá gerar
um bom debate sobre o caráter da iniciativa privada
na formação dos profissionais da saúde e na universidade. Recebemos
apoio de vários movimentos da nutrição, trabalhado@s da saúde e
professores. Peço que divulguem a notícia e a carta para os seus
contatos e mídias parceiras pra expandir e fortalecer esse debate.
http://caemilioribas.wordpress.com/2011/03/01/denuncia/
Abraços,
Tati Nunes Pereira
Centro Acadêmico Emílio Ribas 2011 - gestão "Canto Novo"
Nutrição - Faculdade de Saúde Pública/USP
ESTUDANTES DE NUTRIÇÃO MOBILIZAM-SE CONTRA A PRESENÇA DE
REPRESENTANTES DA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS NAS AULAS
Na última reunião da Comissão de Graduação (CG) da Faculdade de Saúde
Pública da USP, foi aprovada uma carta escrita pelo Centro Acadêmico
Emílio Ribas (CAER) e pelos Representantes Discentes, a qual
denunciava a presença de representantes de indústrias de alimentos na
sala de aula.
A iniciativa surgiu após serem recebidas diversas reclamações de
estudantes que se sentiam incomodados com as aulas ministradas pelos
representantes das indústrias alimentícias, que utilizavam o espaço
cedido pelos professores para promover a linha de produtos das
empresas e distribuir brindes e presentes.
A universidade tem papel fundamental na produção de conhecimento
crítico e independente. A inserção da indústria de alimentos nas aulas
pode ser prejudicial ao processo de formação d@ estudante e, portanto,
é função da universidade garantir a criação e efetivação de mecanismos
que regulem a publicidade e marketing de
alimentos em sala de aula, permitindo que estudantes, funcionários e
professores sintam-se à vontade para denunciar este tipo de conduta e
tenham a garantia de que não serão punidos.
O Centro Acadêmico conta com o apoio de docentes e profissionais da
área que souberam da iniciativa e entraram em contato, como Ana Júlia
Colameo, médica pedriatra e mestre em Saúde Coletiva, e da professora
Marina Ferreira Rea, as quais deixaram os seguintes depoimentos:
?Gostaria que encaminhasse as minhas congratulações pela postura ética
que o Centro Acadêmico Emílio Ribas e os Representantes Discentes da
Faculdade de Saúde Pública da USP adotaram, frente às aulas
ministradas por representantes da indústria de alimentos e de
nutrição, demonstrando amadurecimento e integridade?. Ana Júlia
Colameo
?Estou orgulhosa de vocês. Até emocionada ao ler esta carta. Como
talvez saiba, fui a coordenadora da elaboração da Norma Brasileira que
controla o marketing de substitutos do leite materno e afins, e que
conseguimos aprovar em 1988.
Estudo e milito nesta causa há muito tempo e esta inserção da
indústria dentro das escolas de saúde sempre foi algo muito dificil de
coibir. Uma iniciativa como esta de vocês merece nosso apoio
incondicional, assim como de todos os professores da USP que estão do
lado do ensino isento de conflito de interesses. Oxalá outros alunos
de outros cursos onde o assédio da indústria também existe façam o
mesmo! Conte com a gente.? Prof. Marina Ferreira Rea
A fim de dar continuidade ao movimento, o CAER está organizando uma
programação de seminários e intervenções visuais relacionadas a essa
temática, durante os meses de abril e maio, na FSP/USP.
http://caemilioribas.wordpress.com/2011/03/01/denuncia/
http://www.fsp.usp.br/site/dcms/fck/publicidadenutri.pdf
Carta no blog e no site da faculdade.
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